Herbário do Jardim Botânico se torna referência para o Cerrado

O Jardim Botânico de Brasília é um importante espaço de lazer para a comunidade mas atualmente também figura como um dos maiores e mais importantes centros de pesquisa e conhecimento do Cerrado do Distrito Federal e Goiás. O Herbário Ezequias Paulo Heringer já é reconhecido como referência para o bioma brasiliense mas projetos desenvolvidos pela equipe de botânicos do JBB o colocaram na quarta posição quando o assunto é a vegetação da Chapada dos Veadeiros e região de Pirenópolis.

 

O novo patamar é resultado dos investimentos realizados entre dezembro de 2018 e 2019. No período foram inseridos mais de 2.500 espécimes no herbário e o o acervo atual conta com 35.500 plantas catalogadas. “Nosso desempenho em coletas mais que dobrou, o que mostra o investimento da nova gestão em pesquisa e conhecimento do Cerrado. Somos um herbário de pequeno porte e, até então, não tínhamos conseguido ultrapassar o limite de 1000 novos exemplares por ano e não figurávamos nem entre os 10 herbários de maior importância para essas localidades”, explicou a diretora de Vegetação e Flora do JBB, Priscila Rosa.

 

Um dos projetos que possibilitaram esse avanço foi o “Conhecer para Preservar o Cerrado” que realiza monitoramento de áreas importantes do bioma. Em 2017, os servidores do Jardim Botânico iniciaram a pesquisa em uma área a 40 quilômetros de Pirenópolis e ao final da expedição foram coletadas 730 plantas diferentes.

 

Já em 2019, a área selecionada foi o entorno do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros para verificar o nível de preservação e se a região sofreu impactos devido ao aumento de fazendas e monoculturas.

 

“É importante ressaltar que os locais de coleta não são escolhidos ao acaso. Regiões que concentram muitas plantas endêmicas e com espécies raras geralmente são alvo de especialistas e ter um acervo robusto dessas localidades aumenta a importância da coleção no meio científico. Quando um pesquisador vai sair em expedição, ele consulta bancos de dados para saber aonde os espécimes alvo de seu estudo foram coletados e em quais herbários estão depositados, por isso manter nosso acervo atualizado online é importante”, reforçou Priscila Rosa

 

Novas espécies

 

Além de ampliar o acervo, as coletas possibilitam a identificação de novas espécies. “Estamos analisando duas espécies potencialmente novas, que serão descritas e publicadas em artigos em conjunto entre o JBB e a instituição do especialista em questão”, adiantou a diretora de vegetação. Durante as expedições, os pesquisadores coletaram muitas espécies raras, com menos de 15 registros em acervos de todo o Brasil.

 

Só no ano passado, foram coletadas uma média de 100 plantas por mês. De acordo com a diretora, todo o material é aproveitado. “Todos os espécimes ganham um número e passam a fazer parte do acervo do herbário. Nosso objetivo não é a redundância, então tomamos o cuidado de não recoletar espécimes. Mas todo material é importante, pois pode apresentar algum tipo de variabilidade morfológica que ajuda a aprender mais sobre a flora local”, complementou Priscila Rosa.

 

Depois da coleta, prensagem e desidratação do material, ele é “costurado” em uma cartolina firme acompanhado dos dados de origem da coleta na etiqueta. Para identificar o material, são utilizados o bancos de dados de plataformas como  Flora do Brasil e SpeciesLink. “O que não conseguimos identificar, entramos em contato com especialistas para um auxílio remoto. É assim que descobrimos se uma espécie é rara ou nova para a comunidade científica”, disse.

 

Próximos passos

 

Os locais das próximas expedições já estão em análise pela equipe do Jardim Botânico de Brasília. “Quando saímos nessas expedições o mais importante é ter a licença de coleta do órgão responsável para poder transitar com os espécimes e não coletamos apenas para o herbário, trazemos sementes para o viveiro de mudas e alguns espécimes vivos para adaptação nas coleções vivas do Jardim Botânico de Brasília”, explicou Priscila Rosa.

 

Coleções botânicas

 

Herbários são espaços que armazenam plantas desidratadas. As amostras são colhidas na natureza e formam uma coleção botânica destinada a pesquisa sobre origem e classificação da vegetação. Esse conhecimento é fundamental para fins artesanais e medicinais e, portanto, de grande importância ecológica e econômica para a sociedade.

 

A coleção do herbário do JBB é formada por mais de  35 mil plantas organizadas de acordo com o sistema APG III (2009) e distribuídas em ordem alfabética por família, gênero e espécie. O acervo totalmente informatizado está disponível no endereço eletrônico http://splink.cria.org.br/.